A(r)tivismos urbanos: (sobre)vivendo em tempos de urgências

Atualmente vivemos na urgência das dissidências e polarizações políticas, no limiar do esgotamento das formas de interação e apreço mútuos, tendo em vista os resíduos e variados desequilíbrios que se avolumam pelo planeta, bem como a presença constante de guerras e ambientes marcados por ódios diversos que, infelizmente, tendem a se naturalizar no imaginário e na vida social. Como alternativa a uma consternação – em geral, paralisante – os autores que integram esta coletânea, além de analisarem a complexidade desse contexto, parecem sugerir que se vista uma espécie de cropped e que se “siga em frente”: como quem dança sobre ruínas, identificando beleza e certo encantamento nos escombros e no “fazer com” cotidiano.

Nesse sentido, os instigantes artigos dos pesquisadores, ativistas e artistas reunidos nesse volume de certa maneira convidam o leitor a sair da sua zona de conforto e se lançar com eles no desafio não só de “seguir com o problema”, mas também o de repensar as potencialidades e limites do artivismo hoje.

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Arte, comunicação e (trans)política: a potência dos femininos

nas cidades

A cidade compreendida apenas como palco, como lugar dos acontecimentos, muitas vezes entra em cena como coadjuvante ou cenário. No entanto, há outros possíveis imaginários. É plausível pensar a cidade como uma coautora que une seu corpo – sua arquitetura, ruas, esquinas, parques etc. – a outros corpos que nela habitam. Produz-se, assim, uma narrativa construída a partir da experiência, do diálogo entre a cidade e aqueles que rompem com noções e discursos que visam estabelecer quem pode transitar nela e em que lugares e horários; e que tendem a distanciá-la do vivido e dos viventes. Tal simbiose gera uma potência, que pode ser compreendida como a capacidade de criação e de invenção presente na vida social. As manifestações políticas que tomam as ruas da cidade e as práticas artísticas que ocupam, muitas vezes de surpresa, calçadas e construções, são exemplos de expressão dessa potência estético-comunicativa.

Talvez por isso pensar a cidade e os femininos, nas suas diversas expressões e múltiplas formas de se identificar, seja um caminho rico para aprofundar a compreensão do que se move e faz mover com essa simbiose e potências geradas. Isso porque a cidade também é percebida como um ambiente hostil para diversas expressões de femininos – ainda que como substantivo carregue essa marca gramatical de gênero. Essas experiências, cabe ressaltar, não se encerram no espaço físico da cidade, mas também se espraiam para o simbólico e o digital (como nas comunidades virtuais) – e são sentidas de formas diferentes quando os corpos carregam outras expressões e identidades que não cabem em binários ou que são historicamente marginalizadas. O diálogo entre a cidade e os femininos é capaz de produzir novas narrativas, ampliando a percepção tanto sobre a cidade em si e as relações sociais que se operam nela quanto sobre os próprios femininos. Desse modo, o grupo de pesquisa CAC – Comunicação, Arte e Cidade  organizou esta publicação, convidando pesquisadores a refletirem sobre as expressões múltiplas de femininos nas cidades, a partir de suas variadas manifestações e vivências, transmutando os binários rígidos de gênero.

 
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Comunicação, arte e cidade: experiências sensíveis e produção

de sentidos

Os autores desta coletânea apresentaram suas pesquisas durante o II Seminário Internacional Comunicação, Arte e Cidade: experiências sensíveis e produção de sentido, realizado pelo grupo de pesquisa CAC – Comunicação, Arte e Cidade, reunindo professores e alunos de universidades brasileiras e parceiros de Portugal, França e Itália. O evento contou também com a participação da sociedade civil, representada por grupos como Conexão Leitura, Associação Meninas e Mulheres do Morro da Mangueira e Movimento Baixada Literária, que se dedicam à promoção da leitura literária. Como resultado desse processo reflexivo e conjunto foram produzidos os textos que compõem este livro. São trabalhos que discutem a cidade contemporânea e suas problemáticas sociais, culturais e políticas.

Estudos sobre corpo, consumo, imigração, ritualidades do cotidiano e práticas artísticas compõem este livro. As questões aqui expostas estão ligadas ao processo de comunicação contemporâneo e encontram-se presentes em pesquisas de cidades brasileiras e de outros países em suas distintas possibilidades de reflexão. Reafirmamos a importância do trabalho conjunto de todos os autores, que acreditam na importância da interdisciplinaridade e internacionalização dos debates sobre comunicação e cultura e na necessidade de ouvir a voz da sociedade que experiencia o cotidiano e, desta forma, reconfigura as representações sociais da cidade.

 
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Cidades musicais: comunicação, territorialidade e política

Por que para as cidades hoje é tão importante serem reconhecidas nacional e internacionalmente como localidades que contêm economias criativas? Será que, de fato, isso pode representar vantagens competitivas significativas para os territórios no mundo globalizado e/ou são estratégias de marketing territorial oportunistas muito em voga na atualidade? E para as populações que habitam estas cidades: este título efetivamente colabora para a inauguração de dinâmicas e políticas públicas locais mais inclusivas (democráticas) que serão capazes, portanto, de colaborar para trazer novos patamares de desenvolvimento sustentável para estas regiões? Estas e outras questões estão de certo modo presentes nas indagações dos autores que participam desta publicação analisando em seus artigos variados estudos de caso que articulam o universo musical urbano.

Esta coletânea reúne especialistas brasileiros e estrangeiros que fazem parte de uma extensa rede de pesquisadores que vem regularmente intercambiando suas experiências através não só de eventos nacionais (como Compós, Intercom e/ou Comúsica) e internacionais (como, por exemplo, IASPM e ALAIC), mas também por meio de investigações interinstitucionais de grande relevo – poder-se-iam mencionar os projetos de pesquisa intitulados “Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual” (que foi coordenado por Simone Pereira de Sá, com apoio PROCAD/Capes); “Cultures of The Urban Night” (coordenado por Will Straw e Jeder Janotti Junior e apoiado pelo Canada-Latin America and Caribbean Research Exchanges); “Creative Industries, Cities and Popular Music Scenes” (coordenado por Adriana Amaral, com apoio da Capes); ou ainda, e “Cartografias Sensíveis das Cidades Musicais” (que está sendo coordenado por Micael Herschmann e Cíntia S. Fernandes) –, que vêm priorizando direta e indiretamente, nas suas respectivas agendas de estudos, o binômio Música & Cidade.

 
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Música nas ruas do Rio de Janeiro

Esta publicação é uma decorrência do intenso intercâmbio entre experiências de pesquisa e análises que vinham sendo desenvolvidas no campo da comunicação pelos autores - individualmente e conjuntamente - nos últimos anos. Ao longo do percurso de elaboração deste trabalho foi possível constatar que a música executada pelos atores nos espaços públicos do Centro do Rio vem construindo “territorialidades sônico--musicais” relevantes, as quais vêm ressignificando o ritmo e o cotidiano desta metrópole cada vez mais integrada ao mundo globalizado.

 

Assim, os concertos de música ao vivo executados nos espaços públicos na forma de rodas, bailes, fanfarras e jam session vêm se revelando cada vez mais um objeto de estudo instigante e de enorme relevância não só cultural, mas também sociopolítica e econômica, o qual deveria merecer maior atenção por parte das lideranças, autoridades e do meio acadêmico e artístico, especialmente no contexto atual marcado por grandes intervenções e transformações no Rio de Janeiro e, de modo geral, nas principais capitais do país.

 
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Comunicação, arte e cultura na cidade do Rio de Janeiro

Fruto do trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisa CAC – Comunicação, Arte e Cidade, da Faculdade de Comunicação Social da UERJ, o livro é uma coletânea de artigos de pesquisadores que se dedicam a estudos nesses três campos. Nele o leitor encontrará uma seleção de olhares sobre o espaço urbano, produtores de narrativas da cidade e que irão construir outros sentidos para as paisagens em que circulamos, com as quais interagimos e a partir das quais também vemos o mundo e tecemos nossas vidas como narrativas.

Formamos, junto com as praças, ruas, avenidas, ladeiras, morros e planícies da urbe, uma rede de contação de histórias, e é sobreudo nelas que nossa experiência, permanentemente representada, ganha significação. Nossa arte, técnica e comunicação, produtos da insistência humana em modificar o espaço, ali estão para comprovar a ação transformadora da realidade material, que também é cultural, e nos inclui como sujeitos de um tempo, de um lugar e de uma memória.

 
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Comunicações e territorialidades: Rio de Janeiro em cena

Parte-se, aqui, do pressuposto de que investigar metrópoles contemporâneas como o Rio de Janeiro, exigiria dos pesquisadores um “duplo e complexo exercício”: não só o de enfrentar as questões relacionadas ao seu respectivo objeto de investigação, mas também o de relativizar noções naturalizadas no imaginário social das urbes – normatizado explicitamente nas enunciações midiáticas cotidianas locais e globais – que reiteram dualidades, tais como ordem/desordem, integração/desintegração, inclusão/exclusão, e assim por diante. No caso Rio, é evidente a construção de um discurso que oscila entre a histeria da insegurança (e do medo) e a exaltação da Cidade Maravilhosa. “Escapar” desse emaranhado discursivo (que opera recorrentemente nessa dualidade), isto é, não cair nas “armadilhas” das generalizações e das predeterminações sociopolítico-culturais, vem se constituindo num grande desafio para a agenda de investigação desenvolvida por este grupo de pesquisadores aqui reunidos.

 

Como o leitor terá a oportunidade de constatar, os colaboradores desta coletânea indicam em seus artigos que as conceituações conservadoras de território e identidade (entendidas como noções fixas, definidas e estáveis) são colocadas cada vez mais em xeque na contemporaneidade. No caso do Rio, a pesquisa de campo evidencia a crise das racionalidades geográficas tradicionais, isto é, que outras dinâmicas socioculturais estabelecidas por diferentes atores (algumas mais efêmeras que outras) se “apropriam da cidade”: por um lado, ressignificando os espaços desta; e, por outro, organizando outras referências socioculturais no cotidiano, construindo outras cartografias, muitas delas, inusitadas.

 
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Cidade Pirata: Carnaval de rua, coletivos culturais e o Centro

do Rio de Janeiro (2010-2020)

Cidade Pirata apresenta de forma apaixonada uma versão do Rio de Janeiro entre as transformações urbanas e a música nas ruas. A metrópole que foi invadida pelos jovens coletivos culturais e blocos de Carnaval que não são megashows ou megablocos. Iniciativas criativas que fizeram parte de um intenso movimento de festas independentes no Centro entre 2010 e 2020.

 

A potência da cultura que se espalhou pelos espaços públicos em plena cidade das reformas na década dos megaeventos. Um furacão sonoro e visual que permaneceu nas ruas mesmo diante do aumento da repressão. O Carnaval e a música ativista como forças inventivas numa cidade boêmia, litorânea e Pirata: laboratório sensível para pensar o passado e futuro da vida urbana no Brasil.

 

Narrado em primeira pessoa, o texto tem origem na dissertação de mestrado de Victor Belart (PPGCOM-UERJ) e nas vivências do autor, que trabalhou por anos junto de coletivos nas ruas. Assim, é proposta uma viagem por algumas festas e cortejos musicais que circularam pelas modificadas regiões do Centro e Zona Portuária. São ocupações culturais atacando praças, túneis, mergulhões, barcas ou viadutos. Festa, política, consumo e cultura em espaços públicos: num dos berços da cidade, onde novos grupos surgiram e onde já viviam manifestações tradicionais antes das obras.

 
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Sobre futebol, esporte e cultura


Passando por temas tão diversos como idolatria, identidade, rivalidade, heroísmo e paixão, Ronaldo Helal explora nesta obra as dimensões sociais do esporte. O livro traz, em versões revisadas e ampliadas, a produção do sociólogo para jornais e portais da internet em duas décadas e meia. 

Com leitura leve, mas sem perder a profundidade analítica, Sobre futebol, esporte e cultura apresenta ao leitor reflexões acadêmicas sobre assuntos discutidos cotidianamente entre os aficionados por esporte.

Conforme sentenciou o jornalista Juca Kfouri no prefácio para este livro, "Ronaldo Helal faz parte de um restrito time de intelectuais que introduziu o futebol na academia brasileira. E abriu as portas para que fosse entendido, em linguajar inteligível, pelo mais comum dos leitores".